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Uma metáfora sobre o cérebro infantil

A experiência clínica diária ao longo desses anos (são os dedos de seis mãos!), as pesquisas conduzidas e o acompanhamento atento da literatura proporcionaram insights para criar esse paradigma que tem muito a nos dizer sobre a interface entre os transtornos mentais, o comportamento infantil e a educação.

A metáfora do computador auxilia a entender melhor esse paradigma. Nessa metáfora o cérebro da criança seria o hardware e seus hábitos e comportamentos cotidianos os diversos softwares (programas) que rodam nesse complexo equipamento. Softwares de atenção, organização, comportamento social, regulação das emoções, etc.

Na clínica diária atendemos crianças e adolescentes que padecem de disfunções executivas e dificuldades de ajuste psicossocial por problemas em seu hardware, processos patológicos neurobiológicos e genéticos como o TDAH, a Dislexia e tantos outros. No entanto, atendemos também, E CADA DIA MAIS, crianças e adolescentes com hardwares perfeitos, cujos problemas de comportamento, aprendizado e regulação emocional decorrem de softwares “piratas” e programas mal instalados ou sem manutenção ao longo do processo educacional.

Infelizmente, vemos muitas dessas crianças com problemas de softwares, após uma consulta de 15 minutos, serem erroneamente medicadas como se apresentassem problemas de hardware.

Em um amplo estudo nacional com amostra final de 6.303 crianças e adolescentes de 18 estados brasileiros pudemos constatar a realidade nacional de SUBDIAGNÓSTICO e SUBTRATAMENTO do TDAH, apenas 39% das crianças com esse transtorno mental são diagnosticadas e apenas 11,4% são tratadas. No entanto, quando analisamos separadamente os dados de crianças de classes A e B vemos indícios muito fortes de excesso de diagnóstico e tratamento, apenas 28,5% das que tinham um diagnóstico médico prévio de TDAH e 31,7% das que faziam uso de psicoestimulante preenchiam critérios da DSM IV para esse transtorno.

Como diferenciar problemas de hardware e software?

Quando submetidas à avaliação neuropsicológica as crianças com problemas de hardware são prontamente identificadas, os testes neuropsicológicos são muito bem desenvolvidos e estudados para esse fim. Por outro lado, crianças com problemas de software muito frequentemente apresentam desempenho normal nesses testes, embora apresentem comportamentos muito disfuncionais em sua vida cotidiana. Um exemplo é aquela criança que nos testes neuropsicológicos mostra boa capacidade de organização, mas cujo quarto é uma completa bagunça, como sua vida diária familiar, acadêmica e social.

Conseguimos identificar essas crianças com problemas de software através de escalas ditas ecológicas, que investigam comportamentos de ajuste psicossocial e funcionamento executivo na vida real. Ao longo desses últimos seis anos desenvolvemos duas escalas ecológicas, uma para avaliação de funções executivas (AEFE®) e outra para metacognição e motivação escolar (AEMME®). A primeira com versões para pais e professores e a segunda preenchida pela própria criança ou adolescente.

Muito frequentemente faltou a essas crianças e adolescentes com problemas de software o estímulo adequado através do processo educacional, hoje delegado a terceiros e cujas habilidades executivas e de ajuste psicossocial não são pré-requisitos para a contratação. Outras vezes essas crianças e adolescentes foram adequadamente estimuladas, mas não desenvolveram hábitos executivos saudáveis por motivos dos mais diversos. Um terceiro grupo é aquele em que se aliam ao transtorno neurobiológico condições educacionais e softwares desfavoráveis. Esse é o grupo de pacientes em que enfrentamos o maior desafio no processo de reabilitação e tratamento, pois muitas vezes os pais e outros cuidadores também são disfuncionais e, por vezes, portadores de transtornos mentais.

O Sistema Glia veio para auxiliar essa diferenciação traçando um perfil completo da criança em saúde mental, ajuste psicossocial (SDQ,© Youthinmind), funções executivas, metacognição e motivação escolar.

Seja o grupo que for, através das 170 diferentes dinâmicas propostas pelo Método Glia é possível que pais, professor e terapeutas atuem em conjunto reabilitando as dificuldades e estimulando as habilidades identificadas na criança ou adolescente pelo Sistema Glia.

É a Neurociência revolucionando a Educação.

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