Brain4child - Sobre seus Ombros

Neuroblog

Sobre seus Ombros

Uma das melhores sessões desse 5º Congresso Mundial de TDAH aqui em Glasgow, pelo menos para nós da Neurociência da Educação, TDAH na sala de aula!

 

James M. Swanson, professor de Pediatria e Epidemiologia da Universidade da Califórnia em Irvine (EUA), o “S” do “SNAP”, que junto com Noolan e Pelham desenvolveram essa escala mundialmente validada e utilizada na prospecção de sintomas do TDAH, iniciou apresentando sua experiência de como identificar e quantificar comportamentos próprios desse transtorno na sala de aula. Apresentou dados de uma nova escala específica para uso pelo professor cuja validação foi pareada com monitoração sanguínea de metilfenidato, um trabalho hercúleo conduzido em uma escola-laboratório nos EUA. Essa escala, SKAMP, até onde eu saiba, ainda não foi validada no Brasil. O desenvolvimento de escalas específicas para o professor é de grande importância uma vez que observa-se uma divergência significativa no preenchimento de escalas como SNAP por pais e professor.

Yvonne Groen da Universidade de Groningen na Holanda “levantou a torcida” por aqui com sua apresentação “Do what Works: Interventions in the Classroom” (Faça o que funciona: intervenções na sala de aula) mostrando o maior tamanho de efeito de intervenções baseadas em consequência (medidas “leves” de punição e recompensa em relação a comportamentos em sala de aula previamente combinados), do que as baseadas em antecedentes comportamentais ou técnicas de autorregulação. Ela reforçou a importância da capacitação do professor para identificação e intervenção em comportamentos alvos, bem como o desenvolvimento de kits de capacitação em funções executivas (regulação emocional e inibição comportamental) para pais e professor! Aye, como dizem aqui (Yes)! Exatamente o que estamos desenvolvendo há seis anos, o Método Glia, que em breve lançaremos para o público geral. Levantou torcida aqui, vamos torcer para levantar também aí no Brasil no Aprender Criança 2016. Adianto que já foi devidamente convidada!

Para terminar a sessão com bastante controvérsia e convicção de aquisição de novos conhecimentos, Naomi Steiner, da Universidade de Boston (EUA). Com vários potenciais conflitos de interesse com a indústria fabricante do equipamento de neurofeedback “play attention”, mostrou dados bem positivos desse tipo de intervenção na própria escola. Não se trata de mais um game que promete turbinar o cérebro da criança, mas algo desenvolvido cientificamente e com recursos tecnológicos da NASA (www.playattention.com/sheer-genius). Trinta anos de experiência clínica, congressos e muitas horas debruçado sobre livros de estatística me deixaram um pouco cético em relação aos resultados apresentados, mas enfim, devemos reconhecer que o corpo de evidências a favor do neurofeedback vem crescendo gradativamente e com publicações em revistas de impacto. A grande dúvida que fica é se esse tipo de intervenção é capaz de fazer com que as habilidades adquiridas pela criança no treinamento se transferem para o dia a dia dela em casa, na escola e em outros contextos de vida (efeito de generalização). Ela e seu grupo acompanharam a evolução da criança ao longo de meses e o que vemos é um efeito maior sobre o controle dos sintomas centrais do TDAH do que das funções executivas (acompanharam através do BRIEF - Behavior Rating Inventory of Executive Function). Certamente esse será também um dos temas do nosso próximo Aprender.

Amanhã tem mais. Segunda-feira de volta à terrinha!

Curtam o “Cristo de São João na Cruz“ de Salvador Dali exposto aqui no Museu de Kelvingrove!

 


Temos 9 visitantes e Nenhum membro online