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Prefiro a diversidade humana

Há quem contemple a natureza e os animais, a música e a poesia, o esporte ou tantas outras maravilhas humanas ou Divinas. Por certo há também os que nada curtem, se contentam com a inércia, ou os que se embriagam com aberrações. Embora goste demais das maravilhas, ainda prefiro contemplar a diversidade humana, sobretudo quando ela se constrói ao longo dos primeiros anos de vida. Isso, para mim, não tem nada igual!

Imaginem que nosso cérebro é esculpido em parte por determinação genética, em parte pelas experiências vividas e educação recebida. Essa receita infinitamente diversa determina grande parte do que somos e vivemos, sobrando realmente muito pouco para o acaso. Experiências para a grande maioria de nós positivas, como o seio materno, os cuidados recebidos dos pais, o primeiro professor, os primeiros amigos, o primeiro beijo... e também as negativas, moldam a cada momento não apenas o funcionamento eletroquímico do nosso cérebro como também a sua estrutura, determinando nossa forma de sentir, pensar e agir. A todo tempo a genética (expressão gênica) atua e o acaso também, ora desviando para uma, ora para outra rota num movimento de total diversidade, muitas vezes anárquico. E assim caminha a humanidade!

Um dos paradigmas de contemplarmos essa diversidade são as Funções Executivas (FE). Vimos até aqui as quentes (regular e inibir) e as primeiras frias (objetivar e planejar). Acrescente aí mais sete delas e vamos então nos deliciar com a infinita diversidade do existir.

Organizar ideias, materiais e o tempo com o propósito de atingir um objetivo é uma FE de importância fundamental. Crianças desorganizadas perdem seus pertences ou não lembram onde os guardou, outras vezes, em meio a toda bagunça, não encontram o que precisam na hora de realizar uma tarefa. A desorganização das ideias faz com que a criança tenha dificuldades de armazenar na memória os conhecimentos adquiridos ou não consiga explicar o que sente ou pensa. A desorganização no tempo, por sua vez, faz com que a criança não complete as etapas necessárias para realização de uma tarefa por não administrar o tempo adequadamente.

A desorganização nesses três contextos (materiais, ideias e tempo) pode causar prejuízos diversos, desde uma nota vermelha por esquecer-se de entregar uma tarefa, perder amizades por esquecer compromissos, ou até desfechos fatais. Crianças com dificuldades nesse setor podem até entender o valor da organização, mas frequentemente são incapazes de mudar sua conduta e ter maior controle sobre suas ideias, materiais e tempo sem a ajuda de outra pessoa.

Crianças com dificuldades de organizar apresentam risco 1,8 (95%IC 1,6-2,1) vezes maior de baixo desempenho escolar (ou 80% maior) e 2,7 (95%IC 2,5-3,0) vezes maior de problemas de saúde mental (ou 170% maior). A boa notícia é que essa habilidade pode ser treinada, como se treinam músculos! Ser reabilitada nas crianças com dificuldades, prevenida na identificação precoce de grupos de risco na pré-escola, como também ser turbinada em crianças que já apresentem um bom desempenho.

Se organize e entre em nossa discussão no www.brain4child.com.br

  1. Arruda, M. A. & Arruda, R. Avaliação Ecológica de Funções Executivas em crianças e adolescentes - AEFE.  (Glia Educacional, 2014).
  2. Arruda, M. A., Mata, M. F. & Arruda, R. Executive functions, mental health and school performance in preadolescent children: a population-based study submitted (2015).

 


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