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Cérebro frio

Objetivar, planejar, organizar, focar, iniciar, monitorar, perseverar, operacionalizar e flexibilizar, ufa! Essas são as chamadas FE frias. Fique frio, são muitas, mas são fáceis de entender.

Reflita com atenção sobre cada uma delas, você verá que as utilizamos para quase tudo que fazemos voluntariamente em nosso dia a dia, durante a semana ou aos sábados e domingos, uns dias mais e outros menos! Não apenas no trabalho, mas também naquele papo gostoso e descontraído com os amigos. Tudo que envolve a execução (de uma ação ou pensamento), tomada de decisões e resolução de problemas, exige essas funções frias do nosso cérebro.

Cada um de nós tem seu perfil de desempenho em cada uma delas nos tornando completamente diversos, como nossas digitais e a infinidade de experiências vividas ao longo da vida. Isso torna nossa singularidade um dos aspectos mais exuberantes da nossa existência. Há quem prefira contemplar a natureza, os animais, a música ou a poesia. Embora goste de tudo isso, prefiro a diversidade humana. Mais belo ainda é ver essa diversidade se manifestar ao longo do desenvolvimento da criança, isso para mim realmente não tem nada igual!

Quando suspeitar que uma criança não tenha bom objetivar?

Sobretudo quando a criança que se “perde” em atividades rotineiras diárias, como tomar banho, se trocar ou escovar os dentes, ou mais frequentemente em atividades novas e mais complexas como as tarefas escolares. Muitas vezes podemos perceber essa dificuldade surpreendendo a criança executar atividades por puro impulso, sem saber ao certo por que, no peito e na raça [1]!

Uma vez estabelecida uma meta, são necessários planos e estratégias para que ela seja atingida. Diante de um conjunto de ações a serem executadas, é necessário que se estabeleça uma sequência, dando prioridade para as ações de maior importância.

Quando suspeitar que uma criança não tenha boa capacidade de planejar? A criança não elabora etapas para realização de uma tarefa, vai agindo de forma desordenada, “fazendo de qualquer jeito”, tentando aleatoriamente encontrar a solução. Acaba sempre precisando de ajuda. Outras vezes, espera realizar uma tarefa através de atalhos, do jeito mais rápido, “na raça”, sem perceber que existe uma sequência de passos para chegar ao objetivo final. Diante de várias etapas para realizar uma tarefa, não percebe quais são as mais importantes, nem tem noção do tempo necessário para realizá-la e, com isso, fracassa em atingir o objetivo final. Se perde ao tentar contar algo, explicar ou responder a uma pergunta, pois não organiza suas ideias na ordem adequada [1].

Crianças com baixa capacidade de objetivar apresentam risco 3,6 (95%IC 2,9-4,4) vezes maior de baixo desempenho escolar e 7,7 (95%IC 6,2-9,7) vezes maior de problemas de saúde mental. As crianças com poucas habilidades de planejar, por sua vez, apresentam também um risco 3,6 (95%IC 2.9-4.4) vezes maior de baixo desempenho escolar e 7,0 (95%IC 5,7-8,8) vezes maior de problemas de saúde mental [2]! Vejam que não só as FE quentes encontram-se relacionadas com a saúde mental.

Em nosso próximo encontro continuaremos com as FE “frias”! Seu conhecimento pode fazer toda a diferença na educação das crianças que você ama.

Esperamos sua opinião no www.brain4child.com.br

  1. Arruda, M. A.    (ed Instituto Glia) (Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2006).
  2. Arruda, M. A., Mata, M. F. & Arruda, R. Executive functions, mental health and school performance in preadolescent children: a population-based study submitted (2015).

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