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Números insones

A intrigante correlação existente entre funções executivas (FE) e classe econômica, saúde mental, desempenho escolar, metacognição, antecedentes pessoais, demografia e hábitos familiares e da criança que vimos aqui merece maior reflexão. Até que ponto essa correlação não sofre interação de fatores socioeconômicos uma vez que crianças de classes D e E apresentam pior desempenho em FE, maior risco de problemas de saúde mental, pior desempenho escolar, etc.?

Uma das formas de checar a independência de fatores diversos para a ocorrência de um determinado desfecho (baixo desempenho em FE) é o uso de análises multivariadas. Rodando esse tipo de análise pudemos identificar a independência dos seguintes fatores (p<0.03): baixo peso ao nascimento (<2,5 kg), exposição pré-natal ao álcool, baixo grau de instrução do chefe da família, baixa grau de organização da casa, menos que uma refeição em família ao dia, criança não faz tarefas de casa, baixa ou nenhuma dedicação aos estudos, baixo desempenho escolar, baixos níveis de saúde mental e diagnóstico de TDAH 1.

Significa dizer que todos esses fatores não dependem de nenhum outro para determinar um maior risco de a criança ter dificuldades em FE. Por exemplo, o baixo grau de instrução do chefe da família representa um risco para disfunção executiva da criança independente da classe econômica dessa família, ou seja, isso também será verdadeiro em famílias ricas! Muito provavelmente por hábitos disfuncionais do ponto de vista executivo que a baixa instrução educacional provoca. Muito interessante sim, pois ainda que não possamos modificar o grau de instrução desse chefe de família em curto prazo, podemos identificar e reabilitar os hábitos disfuncionais dessa família para um desfecho positivo para todos. Ganha a família, ganha a comunidade, ganha todo um país.

Mas enfim, quais são especificamente as FE de que tanto falamos aqui?

O termo FE é um termo guarda chuva uma vez que abriga diferentes definições e habilidades mentais, não havendo ainda um consenso na literatura. No entanto, em nosso projeto em campo com 4 mil crianças do ensino público municipal da cidade de São Sebastião do Paraíso (MG), definimos para estudo e intervenção as seguintes FE: objetivar, planejar, organizar, focar, iniciar, monitorar, perseverar, alternar, regular, inibir e operacionalizar. Pouco importantes não acha???

Em nosso próximo encontro vamos aprender a identificar essas FE no dia a dia da criança! Até lá! Mas antes, dê uma passada pelo www.brain4child.com.br e deixe sua opinião!

 

1 Arruda, M. A., Mata, M. F. & Arruda, R. Executive functions, mental health and school performance in preadolescent children: a population-based study submitted (2015).

 


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