Brain4child - O cérebro e a paixão

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O cérebro e a paixão

Não me venha com a desculpa que não teve tempo ou dinheiro para presentear, pior ainda se esqueceu. Acorda! Hoje é o Dia dos Namorados, um dia especial, mais ainda quando entendemos melhor a química cerebral existente por trás do amor e da paixão.

Evidências científicas apontam para o sistema límbico como a sede desses indispensáveis e tão humanos sentimentos. Esse sistema tem a forma de um cinturão (do Latim limbus) que envolve estruturas localizadas bem no centro do nosso cérebro como as amígdalas (emoções, medo e recompensas), hipocampo (memória), cingulado (regulação dos batimentos cardíacos, pressão arterial, respiração e temperatura) e hipotálamo (hormônios do estresse, regulação do sono, apetite e atração sexual). Nas imediações encontramos ainda o córtex entorrinal (olfato), núcleo acumbens (prazer, adição e recompensas) e córtex orbitofrontal (tomada de decisões). Não é a toa que as pernas amolecem, a boca seca, o coração dispara, a respiração fica ofegante e as mãos geladas... É também por conta de tudo isso que o cidadão perde o sono, a fome e a razão, adia decisões, passa a viver no “mundo da Lua” e nada mais tem graça a não ser a sua paixão. Essa revolução química cerebral, arquitetada por um neurotransmissor chamado dopamina, assemelha-se ao transtorno obsessivo-compulsivo e equivale, em várias dimensões, à drogadição.  É certo que o pobre mortal, abatido por esse tsunami em seu cérebro, desconhece o mal que padece, tampouco lhe importa a reciprocidade do sentimento, no entanto, reconhece, tão somente quanto um viciado, a recompensa de estar ao lado do seu bem.

Recentes estudos com neuroimagem em voluntários adictamente apaixonados comprovam que os circuitos cerebrais envolvidos encontram-se mais intimamente relacionados com funções de motivação e recompensa do que emoção e sexo. Outros estudos revelam diferenças sutis nas áreas de ativação passional nos cérebros masculino e feminino, bem como diferenças marcantes nas áreas ativadas pela paixão e pelo amor materno.

Por definição a paixão é um transtorno agudo e autolimitado, cessa com o tempo, dando finalmente paz ao cidadão. Para outros, não menos afortunados, ela se transforma, perde a virulência, torna-se crônica e insidiosa, sem cura, mas menos letal.

Vacinas ainda não foram descobertas para ambas as condições, no entanto, a todos os namorados o cérebro adverte: “Amor e paixão não são prejudiciais à Saúde!”


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