Brain4child - Te pego lá fora!

Neuroblog

Te pego lá fora!

Quem ouviu essa frase nunca mais esqueceu, quem apanhou, ficou com as marcas indeléveis do bullying em seu cérebro.

O termo deriva do Inglês bully (“valentão”) e é definido como todo ato de violência física ou psicológica praticado por um indivíduo com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo incapaz de se defender. Da rua, na porta da escola, o bullying se espalhou como uma praga, alcançou os trotes nas Universidades, foi para o Exército e campos de futebol, entrou para o mundo corporativo e hoje prospera na internet, o chamado bullying cibernético.

O repertório de comportamentos de bullying é bem variado, vai desde aquele “aparentemente inocente” apelido até o abuso sexual, passando por atos de humilhação, coerção, agressão física, roubo e exclusão social. Os bullies, covardes que cometem o bullying, podem assim agir em conseqüência de inveja, ressentimento, para se tornarem “populares”, atrair a atenção, ou mesmo, por já terem sido, eles próprios, vítimas de bullying. Outras vezes, esse comportamento é manifestação de um transtorno mental subjacente ou até expressão genética.

Em um estudo recente, realizado no Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA, os pesquisadores identificaram um gene que pode estar relacionado a comportamentos violentos como o bullying. Esse gene, carregado pelo cromossomo X, modula o funcionamento da MAO A, uma enzima que é responsável pela retirada dos hormônios do estresse do cérebro. Indivíduos com comportamentos violentos apresentavam uma baixa expressão desse gene.

As trágicas conseqüências do bullying abalaram o mundo há exatos dez anos, em 20 de abril de 1999, quando dois adolescentes americanos dispararam seus rifles contra colegas e professores na escola Colombine, no Colorado, matando 13 pessoas para em seguida cometerem suicídio. Ambos tinham antecedentes criminais, colecionavam suásticas e slogans neonazistas e eram vítimas confessas de bullying. Uma nota perto dos corpos dizia: "Não culpem mais ninguém por nossos atos, é assim que queremos partir".

Suspeitem de bullying se o seu filho, sem motivo aparente, recusa-se ir à escola ou sair de casa, se tem baixo desempenho escolar, se volta para casa com livros e roupas rasgadas ou com machucados inexplicáveis, se perde repetidamente seus pertences e dinheiro ou se mostra depressivo, ansioso ou angustiado.

O bullying é uma prática social detestável que deve ser prevenida e sistematicamente combatida em uma sociedade que respeita a dignidade, as liberdades individuais e o desenvolvimento da criança.


Temos 133 visitantes e Nenhum membro online