Brain4child - DISLEXIA!

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DISLEXIA!

Imagine você embaralhando letras na leitura e na escrita a ponto de trocar livres por servil, animal por lamina e amor por roma!

Ou então, escrever palavras que escaparam do conhecimento do nosso servo fiel Aurélio como vono, lora, bó e leca (meu corretor ortográfico acaba de denunciá-las)! E se visse a página de um livro ou o quadro negro como ua ndecifraveu sapo de trales?

Se isso ocorresse na fase escolar, certamente você perderia totalmente o interesse em aprender a ler e escrever, provavelmente receberia um rótulo de “burro” ou “preguiçoso” e com o tempo acabaria se convencendo disso, para enfim, abandonar a escola definitivamente ou entrar em depressão.

Esses são fragmentos da realidade vivida pelos portadores de Dislexia.

A Dislexia é um transtorno cerebral de origem genética que provoca uma tremenda dificuldade ou mesmo incapacidade de aquisição da leitura, escrita e soletração em crianças com inteligência normal. Acomete 5% da população infantil mundial causando um grande impacto sobre o portador, sua família e todo o sistema educacional. Considerando o censo do IBGE de 2000, estamos falando de uma população de 3 milhões de crianças e adolescentes brasileiros fadados ao fracasso escolar.

Quando suspeitar de Dislexia? Devemos suspeitar quando a criança, após dois anos no processo de alfabetização, não consegue se apossar da escrita e leitura; quando o desempenho em avaliações orais é muito melhor do que nas escritas; quando há dificuldades de interpretação e identificação de rimas (sons iguais no fim das palavras) e aliteração (sons iguais no início das palavras); déficit de atenção, além de outras manifestações.

Estudos atuais de neuroimagem funcional revelam anormalidades na região de Wernicke no hemisfério cerebral dominante (o esquerdo na maioria de nós), área intimamente relacionada com a linguagem.

Para uma pequena parte dos disléxicos a natureza sabiamente compensa as limitações na linguagem escrita com habilidades especiais em outras inteligências, assim é que hoje são reconhecidos numerosos disléxicos que tiveram papel decisivo na trajetória da humanidade como Einstein, Graham Bell, Darwin, Da Vinci, Van Gogh e Churchill. No entanto, para a maioria dos portadores de Dislexia a realidade é outra, permanecem anônimos e jogados aos cantos nas salas de aula desse nosso país continental e cheio de contradições, à espera de um Educador capacitado em reconhecer suas dificuldades, encaminhando-o para o diagnóstico e reabilitação.

Para mudar essa realidade necessitamos de capacitação dos Educadores, além da conscientização de toda uma comunidade cidadã, preocupada em não deixar nenhuma criança para trás!


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