Brain4child - Quando o breque não funciona

Neuroblog

Quando o breque não funciona

Numa comparação grosseira poderíamos dizer que o cérebro se assemelha a um carro, tem acelerador, breque e embreagem.

Todos nós sabemos que o acelerador mantém o motor em funcionamento e controla sua velocidade, funções cerebrais coordenadas pelo Tronco Cerebral, uma estrutura localizada na altura da nuca que dá fixação aos hemisférios cerebrais, como o tronco de uma árvore sustenta sua copa. Essa região, além de nos manter acordados, controla funções vitais como a respiração, circulação, pressão arterial, batimentos cardíacos e temperatura, de forma automática e em resposta às demandas que se apresentam a cada fração de segundo. A embreagem precisa estar em sincronia absoluta com o breque e o acelerador, ela permite a passagem das marchas e em caso de descuido o constrangimento é certo, um desagradável barulho põe em dúvida a perícia do condutor. Essas são atribuições do chamado Sistema Nervoso Autônomo que, como o nome diz, é também independente e funciona sem a influência consciente da nossa vontade.

E o que dizer do breque? Aliás, o seu funcionou bem essa semana? O chefe que o diga!

Sabemos da importância do breque há milhões de anos, ele é o grande responsável pela sobrevivência da nossa espécie e quando não funciona as conseqüências são desastrosas. Sem breque não conseguimos prestar atenção, parar, calar e nos organizar. Sem breque não somos capazes de controlar nossas reações, estabelecer objetivos, criar estratégias e planejar. Essas funções de breque são desempenhadas pelo córtex pré-frontal, área localizada atrás dos olhos e “lubrificada” por um neurotransmissor chamado Dopamina.

Esse é o drama vivido pelos portadores do TDAH, sigla de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, o breque não funciona!

O TDAH é um transtorno neurobiológico crônico e hereditário que se manifesta na infância e provoca grande impacto na vida do portador, de sua família e da sociedade. As principais manifestações clínicas são a dificuldade de prestar atenção (“Doutor, essa criança vive no mundo da Lua!”), a hiperatividade (“... não pára quieta, parece ligada no 220!”) e a impulsividade (“...age sem pensar, é atirado e impaciente”). Não se trata de um problema emocional, educacional ou de personalidade, as causas genéticas e os mecanismos cerebrais responsáveis pelo transtorno vêm sendo rapidamente decifrados nos últimos anos. Aqui em Anaheim (EUA), neurocientistas de todo o mundo se reúnem essa semana para apresentar as mais novas descobertas sobre o TDAH.


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