Brain4child - A violência de Lindemberg

Neuroblog

A violência de Lindemberg

Foi anunciada no dia de hoje a morte cerebral da adolescente Eloá Cristina Pimentel, 15 anos, baleada pelo ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves, após um trágico seqüestro que durou cem horas. Eloá levou um tiro na cabeça disparado por Lindemberg, inconformado com o fim do relacionamento com a jovem...”.

Crimes violentos são cada vez mais freqüentes nos noticiários e na vida de muitos de nós. Os fatores sócio-culturais são importantes, mas nem todos os casos são explicados somente sob esta ótica, especialmente quando a violência é hedionda e passional, como a violência de Lindemberg. Nos últimos cinco anos, pesquisas nas áreas de genética molecular e neuroimagem funcional revelaram novas peças do quebra-cabeça que comprovam a importância de fatores neurobiológicos. O uso de drogas é responsável por 59% dos crimes violentos nos EUA e 40% dos homicídios na Finlândia são atribuídos ao álcool. Alguns transtornos mentais podem cursar com comportamentos violentos, sobretudo os transtornos de conduta, de personalidade, de humor e a esquizofrenia, muitas vezes pela interrupção abrupta do tratamento. Lesões cerebrais sutis, exposição fetal ao álcool e rejeição materna também aumentam o risco de inclinação à violência. Sabemos que o abuso sexual na infância provoca redução no volume do lobo temporal (área cerebral localizada na altura das orelhas) e que um terço das vítimas cometerá a mesma violência como pais. Estamos diante de uma condição multifatorial, tudo bem, mas como a Ciência explica a violência em um indivíduo sem estes transtornos aparentes? Os neurotransmissores, substâncias químicas responsáveis pela transmissão da informação entre as células nervosas, encontram-se envolvidos “até o pescoço”, principalmente a serotonina e a noradrenalina. Estudos de neuroimagem funcional, que mostram nosso cérebro em funcionamento, revelam aberrações no cérebro violento. Alterações na utilização de glicose pela amígdala (não a da garganta!), hipocampo (a casa da memória e das emoções) e  região órbito-frontal (localizada atrás dos olhos) interferem no funcionamento do “breque comportamental” inclinando o indivíduo a atos violentos. Hoje sabemos mais sobre a dimensão neurobiológica da violência, embora pareça estarmos longe ainda de compreendermos melhor muitas de suas conseqüências.

... a família autorizou a retirada dos órgãos para transplantes que trarão esperança de vida para outros sete jovens”.


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