Brain4child - O cérebro da criança é uma odisséia

Neuroblog

O cérebro da criança é uma odisséia

Até alguns anos atrás o desenvolvimento cerebral nos primeiros anos de vida era bastante desconhecido e sua importância subestimada. No passado, as pesquisas sobre o cérebro em desenvolvimento se restringiam a poucas fontes: a observação do comportamento da criança ao longo do seu desenvolvimento; estudos com animais jovens; estudos com crianças portadoras de doenças neuropsiquiátricas; estudos por necropsias, eletrencefalografia e análise do líquido cefalorraquidiano.

Nos dias atuais, novas tecnologias como a tomografia por emissão de pósitrons (PET), por emissão de fótons únicos (SPECT) e a ressonância magnética funcional (fRMN), nos revelam os segredos do cérebro vivo, em funcionamento, sob demanda, em desenvolvimento, on-line e a cores. Através dessas novas tecnologias é possível não apenas analisar o desenvolvimento do cérebro como também mapear os circuitos e áreas cerebrais envolvidas no comportamento e em determinadas tarefas como ler, escrever, prestar atenção e memorizar.

O advento também está permitindo aos neurocientistas do século 21 vislumbrar quão flexível, ativo e complexo é o cérebro, o comportamento e o aprendizado humano. O impacto desse avanço alcança um amplo espectro de decisões, do casal que pretende ter um filho às políticas governamentais nas áreas social, educacional e de saúde.

Os novos paradigmas nos fazem entender melhor numerosos contextos e desafios: os efeitos deletérios da desnutrição, das infecções e de determinadas substâncias sobre o desenvolvimento cerebral do feto; as conseqüências neurobiológicas da falta de afeto e estimulação do bebê; condutas e métodos educacionais; currículos escolares etc.

A qualidade de cuidados recebidos pela criança nos seus primeiros anos de vida terá um impacto decisivo no seu desenvolvimento cerebral e somático, na sua habilidade de aprender, de controlar suas emoções e resistir às adversidades. O cérebro não é um órgão estático, ele responde e se modifica em resposta às experiências e eventos. Isto significa que as potencialidades de um indivíduo não são imutáveis ao longo da vida, elas se alteram e podem ser moldadas.

Por isso, com a ajuda do Aurélio, podemos arriscar dizer que “o cérebro da criança é uma odisséia”, uma série de ocorrências neurobiológicas singulares, variadas e inesperadas.


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